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Editorial: Quem compra contrabando prejudica o país e financia o PCC

‘Essa é uma luta de todos nós e não apenas das entidades governamentais’

Estado de São Paulo vive um surto de violência. É certo que a crise econômica, associada ao desemprego, ajuda na escalada da criminalidade, levando muita gente desesperada a buscar abrigo e recursos na informalidade. Uma conjuntura que leva essas pessoas diretamente aos braços da facção criminosa dominante em nosso Estado, o PCC. O que pouca gente sabe é que uma das maneiras utilizadas pelo crime organizado para financiar suas atividades é o contrabando, principalmente de cigarros. No contrabando, os riscos são menores, as penas são mais baixas do que no tráfico de drogas e os lucros para a facção criminosa são altíssimos.

É fato que as facções criminosas das áreas de fronteira especializadas no tráfico de drogas, armas e também no contrabando de produtos, como o cigarro, têm ligações estreitas com o PCC e outras facções brasileiras. São estas que dão cobertura ao transporte, armazenamento e distribuição de produtos contrabandeados.

Bem armadas, essas facções se fortalecem causando uma escalada de violência sem precedentes no Brasil, e o contrabando, principalmente de cigarros, é um dos maiores responsáveis por este trágico cenário.

Na ponta da venda, entretanto, a fiscalização e a repressão aos vendedores ambulantes têm papel importante, mas não resolve a questão. O volume de produtos só tem aumentado graças ao estímulo dado pelos altíssimos impostos sobre os produtos nacionais, cujos preços não têm competitividade frente ao produto contrabandeado, que não é tributado.

Para piorar, os vendedores ambulantes que comercializam cigarros contrabandeados vendem quantidades pequenas de cigarros e, quando pegos, acabam enquadrados em crimes mais brandos que os de contrabando e descaminho ficando pouco tempo na cadeia e voltando à prática delituosa.

E os malefícios do contrabando de cigarros não param por aí. Outro crime comumente associado a ele é o roubo de automóveis particulares. Esses carros são usados para cruzar a fronteira legalmente e voltar carregados de mercadorias contrabandeadas, principalmente cigarros.

A verdade é que todas as esferas de governo têm negligenciado a questão do contrabando como se ele fosse, de fato, um delito menor ou um simples crime de oportunidade. A realidade, porém, é muito mais dura, causando fechamento de fábricas, postos de trabalho e diminuindo a arrecadação. Combater o contrabando exige coragem, na medida em que demanda entrar em contato com as profundezas do crime organizado e, mais do que isto, retirar um dos braços financiadores das facções, em especial o PCC. Sem dúvida alguma, as facções criminosas reagirão e, para isso, precisamos estar preparados.

Que fique claro: essa é uma luta de todos nós e não apenas das entidades governamentais. Quem compra um produto contrabandeado precisa saber que, na realidade dos fatos, está financiando o PCC. Sim, é tão simples como isso!